terça-feira, outubro 24, 2006

Incompleto

Logo hoje que eu
ia te acordar com beijos
você levantou mais cedo

Logo hoje que eu
ia te contar meus segredos
você me causou medo

Logo hoje que eu
ia te oferecer flores
você me veio com dores

dissabores, ainda mais sem cores

Logo hoje que eu
fiz tantos planos
você me acusa de enganos

Logo hoje que eu
pensei em me declarar
você prefere se afastar

Me afastar, ainda mais p´ra cá

Logo hoje...

Logo hoje...

quarta-feira, outubro 18, 2006

Sei que este é um blog para poesias, mas não me contive...

Não sou explicitamente "Lula". Também tenho minhas dúvidas e aborrecimentos a respeito do seu governo. Escândalos, CPI´s, mensalões. Será que de fato ele não sabe de nada? Pode ser...como poderemos saber? Há provas que mostrem o contrário? Até agora não. E se de fato ele realmente não sabe de nada? Díficil de acreditar, mas não temos como provar.

O fato é que a dita "elite brasileira" ou boa parte dela e a maior parte da imprensa ou pelo menos a que mais se destaca, vem descaradamente apoiando Geraldo.

Nada contra, vivemos numa democracia, mas acho que pelo menos a imprensa deveria ser mais equilibrada, menos tendenciosa, mais honesta. Não é isso que essa parte anti-Lula prega? Ética e honestidade? Um jornalista/comentarista político( Alexandre Garcia) disse numa mesma palestra (em que mostrava todos os defeitos do governo Lula, apesar de ser chamado para falar de política em geral), que um jornalista esportivo não deve ser sócio de um time de futebol. Não entendi nada..quanta contradição... Pode ou não pode ser parcial? Deve ou não deve?

Disse nesta mesma palestra para uma maioria nordestina, "elite"-diga-se de passagem, que o nordeste teve maior votação em Lula, por causa do bolsa-família. Pergunto: Lula só teve voto dos pobres e miseraveís? Geraldo não quer o voto dos pobres e miseraveís?

E os sudestianos(existe essa palavra?) que votaram em Clodovil e Paulo Maluf? Com todos respeito a estes senhores e aos que votaram nele...foram votos "inteligentes"? Talvez entendessem que bolsa e família são palavras que não devem ser pronunciadas juntas?

Como comecei: Tenho minhas ressalvas quanto ao governo Lula...o que pretendo questionar é que falem mal, ou questionem os dois candidatos...Geraldo é perfeito? O Governo de Geraldo em SP foi perfeito? Não houveram escândalos? Não ficaram perguntas sem respostas?

Acho que a política nacional deve mesmo passar por uma reforma geral. Mas isto demanda tempo e consciência dos cidadãos. Se não reclamamos de direitos mínimos ainda como poderemos reclamar dos políticos. A maior parte da população nem sabem quais são todos os seus direitos...

Um país que reelege candidatos que foram comprovadamente contra a lei e onde o povo ainda endeusa Coroneís, precisa mesmo de tempo para adquirir certos conceitos e compreender seus direitos.

Um abraço,

Djalma Vita Júnior

terça-feira, setembro 05, 2006

O hospício da mãe dos homens (*)

Esse mau cheiro
não vem daqui
não percebeu
que o vento sopra
de lá p´ra cá?

Você me acusa
de coisas que eu não sou
você me acusa
de coisas que eu não fiz
Você me acusa
de coisas que eu não sei

Meu coração
é tão pequeno
não caberá
tantos amores

Eu não pedi
p´ra vir
p´ra este mundo
Se estou aqui
não foi porque eu quis

Não percebeu
que já faz tempo
que eu saí de casa?

Feche as janelas
p´ra descobrir
se o meu tremor
é apenas frio
ou puro medo

Em todo mal
tem um pouco de bem
em todo bem
tem um pouco de mal
Onde é que está
a Mata Atlântica?

Tem quem goste
do cheiro do mato
mas, eu prefiro
cheiro do asfalto

Minha senzala
vai ser enorme
e eu vou ser
todos os senhores

E as drogas por mais
mortais que sejam
São tão vitais,
pros que festejam

-Na minha rua
tem uma casa
onde só vivem
pessoas loucas

-Na minha rua
tem uma casa
onde só vivem
loucas pessoas

-Na minha rua
tem uma casa
onde não vive
mais ninguém

Ainda tem gente
sob os escombros
e amanhã
tem outra busca...

(*) O Hospício da mãe dos homens é um título de um quadro, uma pintura...não sei o nome do autor...

Justiça Cega

A injustiça é seu preço
e eu não sei quanto posso pagar
Tua beleza é tão farta
e eu não sei quando posso provar

Será? Que há? No ar?

A verdade custa caro
e a mentira é o meu caminho
a rebeldia é uma ato insensato
então prefiro ficar sozinho

Por que? cadê? O quê?

Nem beata, nem ateu
Nem um nobre, nem plebeu

De que vale a manifestação
se a maioria não é unida?
e a quantas andarão
se não tem um ponto de partida?

Por que? Cadê? O quê?

P´ra quê política e falsidade
Se não temos onde morar?
Tua beleza é tão bela
e não temos onde morar

Será? Que há? no ar?

Nem beata, nem ateu
nem um nobre, nem plebeu

Acho que vou no próximo avião
Acho que eu vou...

Samba do perdão II

Impossível!

Foi o que eu pensei
que você pensou do nosso amor

Mas inevitável,
é o que eu mais ouço
de quem está ao nosso redor

Meu Deus, então
porque não admitir
e se entregar e logo vir
parece que é díficil você dizer
Meu bem eu gosto muito de você.

Glória

Esta é uma triste história
de uma menina chamada Glória
Era tão horrível que ficou só
E acabou virando leite em pó...

terça-feira, agosto 15, 2006

Aflito

Posso não ser o que quero ser
mas eu tento
posso não ser o que você vê
mas eu penso
Posso não ser o que você quer que eu seja
então me divirto
Com suas caras e bocas insatisfeitas
nunca me aflito

Posso não ter tudo o quero
mas eu luto
posso morrer daqui a um segundo
mas me culpo
Posso te fazer sentir tantos sentimentos
absurdos
Posso até ouvir seus pensamentos
mais curtos
Posso até pensar o mesmo de você
mas não julgo

Posso até te admirar
no escuro
Posso até te pagar
um outubro
Posso até chorar
um só turno
posso até me tornar
seu futuro

Posso ter um sonho
meio maluco
Posso ver através de paredes
seu mundo
posso fingir que sou
surdo-mudo
Posso até repetir de novo
isso tudo

Mas eu fujo,
eu curvo
eu sumo...

quinta-feira, julho 27, 2006

Mais raiva do que medo (*)

Me imagine falando p´ra você
com raiva, com sentimento
não, não é de você
que eu tenho raiva
mas de pessoas
que se aproveitam de uma falha,
para te apontarem o dedo
e te acusam mais e mais
e falam que você é sempre assim
e esquecem de tudo que você já fez.
Se você já foi 99 de bom,
o que se destaca é só o 1 ruim.

Não há interesse nas suas idéias boas
não há importância nas suas sacadas novas
o que é importante é sua falha tola
o que realmente não importa
é quando Inés é morta
Tudo o que passou, passou...
Desculpe aqui este desabafo
mas é aqui que estraçalho
vai ser aqui que eu vou mudar o mundo
vai ser aqui que eu vou ser rei de tudo

É raiva mesmo
e não me envergonho disto
Não sinto ódio , nem sinto medo.
Mas me sinto preso.

Você acha que tudo que todos fazem você vai saber?
Não dá pra manter o controle de tudo
nem dá para todos te darem satisfações

As pessoas tem que decisões próprias
as decisões podem ser certas ou erradas
dependendo do ponto de vista
Todos tem opiniões
todos tem visões
todos são diferentes
todos podem ser dementes
todos são dependentes

Tenho raiva, e é bom sentir
melhor do que passar batido
vou mostrar que estou certo
um dia tudo será revisto

(*) Mais raiva do que medo é também o título de uma música e de um disco da banda Plebe Rude.

sexta-feira, julho 21, 2006

Ódio?

Que palavra mais triste
Antítese do amor,
Contrária a tudo
O que há de melhor.
Pobre, feia, desnecessária.
Se não gosta de algo
Apenas diga que não gosta
Somente torne–se indiferente.

Odiar por que?

Deveria ser abolida Dos dicionários.
Ela e seus derivados.
Deveria ser proibida
A conjugação do seu verbo.
E castigados com muito amor
os que insistissem em pronunciá-los.

Odiar por que?

Tente compreender
O que você não gosta.
E mantenha distância,
Se realmente te incomoda.
Marginalize, mas não extremize.
Não exponha a todos
este sentimento ruim
Não cultive e muito menos colha.
Não pronuncie, nem escreva.
Não e nunca tão intenso.
E nem tão emocional.
Tão pouco excessivamente sentimental...
Nem de brincadeira.

Não goste, mas odiar por que?

terça-feira, julho 18, 2006

As coisas boas que faço

As coisas boas que eu faço
Você faz pouco caso
E as coisas lindas que escrevo
Eu mesmo finjo que leio
Mas nem percebo
E nem vejo
O poder por trás dos olhos
E mergulho
Por trás de absurdos
E nos arbustos
Estão outros escuros
Que metem medo
Até nos meus segredos
Mas nem percebo
Ou finjo que não vejo
Me estrangulo
E vou pulando muros
Que absurdo!
Eu vejo o futuro
Recrimino
A linha do destino
E desfaço
Aquele meu traçado
Abomino
Todo e qualquer respingo
Na retina
Que cega e contamina
Impossível
Ser muito presumível
Indevido
A falta de abrigo
Escorrego
No colo do meu ego
E escrevo
Frases que nem leio
Nem percebo
Que esse é o meu medo
Faço um caso
Das coisas que não faço
E acabo
Sem ter nenhum respaldo.

Espécie Perpétua.

 Eu sempre pensei em ter um filho  Porque me diziam que assim eu iria perpetuar a minha espécie  Mas que sujeito pretensioso que sou  Pensar...